Maratonando…

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A gente começa a maratonar com Red Bull e ouve essa música…

Depois quando dá 4:56 da manhã, você já leu uma porrada de página, resolveu quase umas 30 questões você já tá como…

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Preciso melhorar… ainda tô com 71% de aproveitamento nos estudos nos últimos 7 dias sendo que ainda nem peguei o começo das matérias pra estudar!

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Coisas que mudei depois da viagem… #VolteiMudada

Tiveram algumas coisas que eu voltei mudada depois da viagem que fiz… resolvi enumerar elas pra mim mesma e ver a diferença que eu cresci pessoalmente depois da viagem.

1– auto estima:

Se teve algo que a viagem fez um bem danado pra mim foi pra minha auto estima… Antes eu sempre ficava preocupada em secar meu cabelo de uma forma perfeita, ou me vestir de tal e tal jeito e parecer de um jeito e não tinha aquela segurança em ser quem eu realmente sou. Depois da viagem eu simplesmente sou quem sou e nada me afeta.
Eu tive coragem de dizer pra quem eu gostava que eu gostava da pessoa e ela não correspondeu e tudo bem, passa dele. Simples assim… não há quem me interesse aqui mas não é o fim do mundo pois outras viagens vão acontecer e sempre é tempo de se apaixonar por outras pessoas ao redor do mundo novamente. E eu me sinto linda, interessante, atraente, muita areia pro caminhão de qualquer brasileiro que anda pelas redondezas.

2- Não quero mais ser loira:

Não vejo mais necessidade de ser loira como as meninas brasileiras tem tanta fissura por ser. Pois lá na Europa a maioria dos comerciais e das campanhas são estreladas por meninas iguais a mim, morenas, de pele branca. Ou negras lindas mesmo. Ou seja, eu sou o padrão.

3- Não quero mais postar fotos sensuais no instagram:

Ao contrário das brasileiras, as meninas e mulheres europeias não cultuam o erotismo e postar foto de calcinha e sutiã é visto como algo de “garota de programa” ou ficam reduzidos a postagens da Anitta e da Lexa como figuras brasileiras que eles admiram.
As mulheres europeias postam outros tipos de foto mesmo sendo blogueiras, com um ar muito mais saudável que não dá pra copiar aqui no Brasil ou fotos bem alto astral mesmo que nada tem a ver com nossa cultura. Eu prefiro muito mais o padrão europeu. E na próxima viagem que eu fizer eu vou investir em tirar novas fotos com esses novos ares.
Apesar de eu ter feito um ensaio muito lindo estilo boudoir no apartamento que eu aluguei eu não tenho mais vontade de divulga-lo … pois acho que não condiz com a imagem que eu quero ter nas redes sociais.
Lá também não tem esses perfis de imagem profissional de advogados como temos aqui no Brasil… pura balela. As pessoas são pessoas normais, felizes com fotos lindas dos seus cotidianos. Algo muito mais simples sem ligar para imagem. Vida real, sabe?

4- Mudei minhas redes sociais para o modo noturno:

Todo mundo usa as redes sociais no modo noturno por lá e eu aderi também.

5- Dificuldade em atravessar a rua:

Ainda não consegui me adaptar á atravessar as ruas de São Paulo sem lembrar que aqui os carros não param pra gente no sinal…

6- Sem frio…

Depois que voltei raramente uso casaco de frio… depois de pegar 2 graus em Londres e uns 16 em Lisboa na média sendo que lá o frio é completamente diferente eu não sinto mais frio aqui em São Paulo e não vejo necessidade de usar mais casacos para sair de casa. Me sinto muito mais calorenta… tanto é que acabei de sair da piscina e está um dia totalmente nublado e me sinto como uma europeia do norte hahahahahahahahah

Por enquanto são essas as principais mudanças que eu me lembre no momento…

apesar de que eu também voltei menos consumista, tratando muito melhor minha mãe, minha rainha, com mais esperanças pro futuro, e mais feliz e realizada.
Passei por um momento de desilusão com o Brasil, com nossa realidade daqui… mas com calma fui vendo o que fazer do limão uma limonada.

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Planos… about life

Eu tinha escrito um textinho todo legal no meu word sobre os planos para o futuro que eu tinha planejado depois que eu voltei de férias mas o computador não salvou meu arquivo…. então resolvi reescrever aqui no blog…

Bem, pra começar eu estive pensando que eu adoraria morar em Lisboa mas que os trâmites legais para tirar documentação e morar lá de forma legal podem ser um tanto complicados… e que como imigrante os trabalhos que sobram pra gente são trabalhos não muito qualificados e trocar nossa carreira aqui no Brasil para virar garçonete e mais algum part time job seja lá qual for por lá não deve ser algo assim muito atrativo… e a outra opção seria ser estudante internacional mas isso demanda um alto investimento… o que não é tão fácil… talvez não por agora.

Então pensando e pesando nessas alternativas e com as perspectivas que eu tenho para o futuro eu pensei que o melhor seria eu concluir aqui a minha faculdade e no final dela prestar algum concurso público, e pensei no cargo de Auditora Fiscal da Receita Federal pois é um cargo acima do cargo da minha mãe e eu lembro que eu frequentava a repartição quando criança e gostava muito do lugar.

Estou ansiosa para ter aulas de Direito Tributário na faculdade no 8º semestre pois aí sim verei se gosto da matéria mesmo ou não… pois até agora o que mais gosto mesmo é Direito Civil, Direito Penal e só… gosto das outras matérias mas não me vejo trabalhando com elas.

Outra coisa que penso também é que o que eu queria com Direito Penal era ser Promotora de Justiça do MP/SP mas exige-se a prática jurídica de 3 anos e eu acho isso muito demorado e meio impraticável aqui no Brasil devido ao desemprego.

Então optei por outro direcionamento profissional.

Dessa forma eu ganharia dinheiro suficiente para me bancar e ainda viajar para Europa nas férias como tanto gosto. ❤

Acho que agora é ter um pouco de paciência e ir fazendo o 6º e 7º semestres nesse ano e concluir as matérias que tenho por fazer para concluir este ciclo.

E ano que vem será a reta final.

Não penso em investir mais dinheiro em cursos, extracurriculares e afins no momento pois não vejo necessidade.

Talvez faria os cursos internacionais do ibccrim em parceria com a Universidade de Coimbra se eles abrissem inscrições.

Acho que mais pra frente, beeeem mais pra frente talvez eu queira fazer uma pós, um mestrado… essas coisas… mas tudo no seu devido tempo e tal.

E com o cargo de funcionária pública isso será bem mais fácil de se fazer. Tanto aqui no Brasil como lá fora.

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Que mais que eu posso falar sobre a viagem… ?

Bem, tem diferenças gritantes… quando a gente vai atravessar a rua tem apenas algumas ruas com semáforos e nessas ruas a gente é obrigado a parar para os carros mas em todas as outras que não tem sinal a gente pode atravessar a hora que a gente quiser que os carros param pra gente atravessar. 😀

Uma coisa que abre as portas pra gente em qualquer lugar do mundo é ser bem educado e quando a gente começa a conversar com uma pessoa falando “Olá, boa tarde (bom dia, boa noite) tudo bem?” E continua “Eu gostaria de…” e usa palavras do tipo “Obrigada” “Por favor” “Licença” “Me desculpe”… as pessoas nos tratam super bem de volta… e foi o que eu mais fiz por lá então todo mundo me tratava super bem e eu fazia amizades muito fácil com todos. Vale arriscar todos os idiomas nessas horas.

Em Portugal normalmente as pessoas não fazem rodeios para te falar o que pensam. Se você perguntar alguma coisa para elas, elas vão te dar uma resposta bem objetiva e direta. Vão ser claros com você mas não vão ser grossos com você. É que no Brasil a gente tá acostumado com aquelas respostas vagas, cheias de enrolação disso daquilo de voltas e tal… e lá não tem disso e eu achei isso muito mais legal! 😀

Por exemplo, se você perguntar para um português ao entrar no taxi se podemos fazer o passeio das 3 as 6 ele vai te falar “sim. Das 3 as 6.” E vai conversar com você normalmente sobre o trânsito da cidade ser conflituoso antes desse horário, depois desse horário e tal mas nada querendo justificar a resposta dele sabe? Ele só ta puxando papo e fazendo uma boa conversa, puxando assunto e conversando sobre a cidade…. mas a resposta que ele te deu vai ser direta. Se você em outro momento perguntar “Poxa, já ta quase dando 6 horas, eu não estou a te atrapalhar?” ele vai responder numa boa “Não não está não. Tá tranquilo. Vamos que ainda temos tempo. Pode ficar tranquila que o combinado é o combinado.” Sabe assim? Eles são muito honestos, prestativos, não querem te passar pra trás, são simpáticos e o tempo todo que você olha eles estão trabalhando.

Os rapazes de lá são muito gatos… hahahahaah E te tratam muito bem. Até me pedir em namoro me pediram. E não enrolam também não… conheci um menino de 25 anos que não tava na vibe de namorar e ele desde o início disse que não queria namorar porque ele falou que achava que ele era muito novo e que no momento ele preferia se concentrar nos estudos dele e no trabalho dele e que quando ele fosse mais velho e tivesse melhor na vida ele sim procuraria uma namorada e pensaria em ter uma família. awwww! que fofinho! Ah! e ele perguntou se eu queria ser mãe e quando eu falei que não queria ele ficou surpreso. Mas é que ele não imagina o caos que é ter filho no Brasil…

Todos os rapazes que eu conversava assim de boa mesmo, sem ser com interesse de paquera, quando me perguntavam se eu tinha namorado no Brasil e eu falava que não que no Brasil ninguém gostava de mim eles falavam “Ahhhh nãaao… Mas como assim ninguém no Brasil quer namorar com uma menina tão incrível como você?” hahahahaha
E eu ficava toda feliz ! 😀

A minha auto estima mudou muito muito desde que viajei pra Portugal… agora eu me acho a menina mais gata do pedaço. hahahahahhaah E tipo não sinto mais necessidade de ficar postando foto de calcinha e sutiã no instagram e nas redes sociais que nem as brasileiras fazem porque eu vi os instagrams das meninas europeias que meus amigos portugueses me mostravam e era completamente diferente do das meninas daqui…

Pior que eu fiz um ensaio boudoir lá em Portugal e agora eu não quero mais divulga-lo.

Sei lá acho que não tem mais nada a ver postar foto desse tipo no meu perfil… sensual demais e tal…. nada a ver…. caído.

As coisas funcionam por lá… quando eu fiquei doente eu chamei o médico do seguro viagem e o médico foi até a minha casa me examinar…. eu pude sair de madrugada para comprar remédios e o motorista do Bolt rodou a cidade comigo procurando uma farmácia 24h aberta e foi super simpático comigo…. estacionou o carro na rua, desceu do carro comigo e foi até a porta da farmácia e comprou o remédio junto comigo.

Um dia eu entrei no restaurante, dei 40 euros por engano numa conta que tinha dado 20, quando saí do restaurante o garçom veio correndo atrás de mim com uma nota de 20 que eu tinha dado a mais para eles.

Um dia eu esqueci o iPhone dentro do restaurante, aí eu percebi e voltei eles já estavam com o telefone pra vir atrás de mim também.

Comi o melhor polvo a lagareiro no Solar dos Bicos na Rua dos Bacalhoeiros que estava uma delícia! E esse polvo já saiu até nos jornais! 😀

Ah sei lá… aconteceu muita coisa legal! se eu for ficar falando tudo vai dar muita coisa aqui e a saudade vai apertar. ❤

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Um papo sobre Drogas pós-Europa.

Eu viajei pra Portugal levando meu chaveirinho com as fichas de NA no chaveiro… e por incrível que pareça eu fiz amizade com um rapaz por causa disso! Ele viu meu chaveiro e disse “Nossa isso já salvou minha vida!” e eu falei “Ah, o que? Na?” e ele disse sim sim isso mesmo! Eu tomava baque de heroína. E já frequentei o Na pra me livrar disso. Hoje em dia eu não bebo mais álcool, não tomo mais heroína e só fumo maconha.

E concluí também que ele não frequentava mais NA… pelas coisas que ele tava falando ali.

Nisso eu me identifiquei muito com ele! Sabe? Porque é exatamente isso! Você não precisa fazer que nem a galera faz aqui no Brasil que entra em Na e passa a vida inteira frequentando e morre lá dentro e fica 10 anos careta, 30 anos careta, 50 anos careta.

Tipo pra mim, principalmente depois de conversar com essa pessoa ficou bem claro que eu sou exatamente a coisa certa de Na.. que eu frequentei o Na por um tempo – 9 anos – resolvi meu problema que tinha com determinada droga que já fazem 11 anos que eu não uso mais e hoje em dia eu levo uma vida normal bebendo álcool e fumando um baseado.

Que nem o cara lá de Portugal… que tá na boa vivendo a vida dele fumando um. Ele achou o limite dele e vive numa boa… ele não bebe mas eu bebo… e ta todo mundo tranquilo vivendo dentro de seus limites.

Acho que limite a gente não nasce com um, a gente vai vivendo e aprendendo a encontrar esse tal limite.

E é justamente isso que assusta a gente quando a gente passa muito tempo dentro de alguma dessas irmandades de abstinência… porque dizem que se a gente voltar a usar a gente vai morrer e isso não é verdade.

Cada um sabe onde seu calo aperta. Cada um sabe dos seus limites e o que pode e não pode usar. E o que que leva a usar tal coisa e tal coisa. Basta ter consciência disso e saber o que fazer e o que não fazer. Simples assim.

E nossa… quando eu estive lá eu fumei CBD…. que existe até uma discussão dentro da comunidade do Jiu Jitsu que os treinadores sonham com o dia em que os atletas não irão mais usar painkillers e sim irão usar CBD no lugar para se tratar de dores e tal. Acho que a parada é bem medicinal…. e eu fumei isso e vou falar… é MIL vezes melhor do que fumar maconhaaaaaa….

A parada não dá brisa, não deixa o olho vermelho, não fode com a cabeça, apenas te relaxa e te deixa com uma sensação muito gostosa além de você poder comprar os gramas com selo de qualidade dentro de lojas autorizadas e não na mão de comerciantes ilegais.

Imagina nos EUA que as lojas são autorizadas a vender a cannabis mesmo? Nooossa mano… outro mundo!!!!

Então voltei pro Brasil muito mais feliz comigo mesma e com minhas escolhas. Pois sim, EU FUMO MACONHA e Bebo álcool. E não há nada de errado nisso! 😀

E quando cheguei eu até comprei uma maconhinha da favelinha aqui do lado de casa e …. achei uma merda…. nem tive vontade de voltar lá pra comprar mais depois. Achei uma bosta. Fiquei pensando Mano deve ser orégano essa porra.. O que será que eles misturam nisso? Sabe assim?

Sei lá… aqui no Brasil eu to bem de boa de fumar beque…. não vejo mais graça. A boa mesmo é guardar esse dinheiro pra fumar lá nos EUA e na Europa. Aí siiiiiiimmmm eu sei que vou fumar algo de qualidade. ❤

Lavagem de Dinheiro… Um pouco de estudos sobre meu curso de Compliance.

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A “lavagem de dinheiro”, também chamada “lavagem de capital” ou “branqueamento de capitais”, pode ser explicada vulgarmente (e de modo reducionista) como o processo de mutação do “dinheiro sujo” (produto criminoso) em “dinheiro limpo” (aparentemente regular).

Trata-se, em verdade, da manobra delitiva de introdução no sistema econômico e financeiro oficial dos produtos auferidos com práticas criminosas (anteriores).

O próprio artigo  da Lei n. 9.613/98 define a lavagem de dinheiro como “ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal”.

É inegável, portanto, que o delito de lavagem de dinheiro possui natureza acessória, derivada ou dependente, mediante relação de conexão instrumental e típica com ilícito penal anteriormente cometido (do qual decorreu a obtenção de vantagem financeira, em sentido amplo, ilegal). Diz-se que a lavagem de dinheiro é, nessa linha, um “crime remetido”, já que sua existência depende (necessariamente) de fato criminoso pretérito (antecedente penal necessário).

Certo é que o crime organizado disponibiliza fundos incalculáveis e envolve milhares de pessoas, com sistema funcional implantado e bem estruturado. Entretanto, apesar de se tratar de uma atividade altamente lucrativa, para serem utilizados seus rendimentos é imprescindível a ocultação de sua origem.

Desta necessidade de uso, movimentação, ocultação e disposição de ativos oriundos das mais variadas espécies do comércio criminoso surge a lavagem de dinheiro, com a finalidade de evitar que se descubra a cadeia criminal, bem como a identificação de seus agentes.

Sendo pacífico que as organizações criminosas, de modo geral, têm sua atuação no eixo dinheiro/poder e que o seu êxito está intimamente vinculado ao sucesso da lavagem de dinheiro, há um forte impulso para que estas organizações pratiquem o referido processo de reciclagem.

Ocorrida a reciclagem do dinheiro, este pode ser investido sem levantar suspeitas e contribuir para que os seus detentores eliminem empreendimentos legítimos sob a cobertura de atividades honráveis[3], gerando o inegável risco de que economias inteiras se submetam ao seu controle, provocando alterações nos mercados financeiros.

Neste contexto, vários países fomentam seus aparelhos de cooperação internacional para a persecução de crimes de lavagem de capitais e outros praticados por organizações criminosas.

Diante da importância deste assunto, e dos efeitos devastadores provocados por este delito, Vladimir Aras defende que os Estados nacionais não podem ignorar, diante da complexa problemática que envolve a questão, o fenômeno da lavagem de dinheiro, uma vez que não se restringe a uma abstração que se cinja a números, pois, ao contrário disto:

“São concretos e às vezes dolorosos, os danos causados à sociedade pela lavagem de dinheiro. De um lado, desemprego, vultosos prejuízos econômicos para empresários e investidores, diminuição dos índices de desenvolvimento humano, corrupção, insegurança pública e redução da arrecadação de impostos e de investimentos em educação e saúde. De outro lado, o enriquecimento ilícito e a utilização indevida de valores oriundos de graves crimes.”

FASES OU TÉCNICAS DE LAVAGEM DE DINHEIRO

Considerando que a lavagem de capitais é um procedimento complexo, pode-se afirmar que a conduta do agente passa por um modus operandi bastante linear e multifacetado. Vários são os métodos ou fases utilizados com a finalidade de lavar o dinheiro:

a) A primeira delas é a fase da ocultação, na qual há uma tentativa dos agentes de conseguir menor visibilidade do dinheiro oriundo da prática de atividade ilícitas. Para tanto, costuma-se utilizar o sistema financeiro, negócios de condições variadas, enfim, emprega “intermediários” que trocarão os valores ilicitamente recebidos.

b) Com a posse do dinheiro, tem início a segunda fase: a cobertura, fase de controle, ou ainda, mascaramento. Consistente em desligar os fundos de sua origem, em outras palavras, fazer desaparecer o vínculo entre o agente e o bem precedente de sua atuação. São comuns múltiplas transferências de dinheiro, compensações financeiras, remessas aos paraísos fiscais, superfaturação de exportações, dentre outros.

c) Finalmente, o dinheiro deve retornar ao circuito econômico, transparecendo a imagem de produto normal de uma atividade comercial, é a chamada fase de integração. Neste momento, há a conversão de dinheiro sujo em capital lícito, adquirindo propriedades e bens, constituindo estabelecimentos lícitos, financiando atividades de terceiros, além de investir parte deste dinheiro na prática de novos delitos.

CRIMINALIZAÇÃO DA LAVAGEM DE DINHEIRO

Cumpre ressaltar que o início das preocupações mundiais com a lavagem de dinheiro data da Convenção de Viena de 1988, ocasião em que os membros da Organização das Nações Unidas aprovaram a Resolução que os obrigava a penalizar a lavagem de capitais oriundos do tráfico de entorpecentes.

Desde então, várias nações passaram a inserir no seu corpo de normas, dispositivos legais reservados a reprimir a utilização de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de crimes.

Neste sentido, Roberto Podval, ao discorrer sobre o bem jurídico do delito de lavagem de dinheiro, assevera que:

“O que se nota é que a criminalização da lavagem de dinheiro surge como forma de coibir o tráfico ilícito de entorpecentes, já que não obstante a intervenção do Direito Penal nessa matéria (através de leis cada vez mais severas e com penas menos brandas), tal criminalidade não só persiste como aumenta. Assim, uma vez evidenciada a impossibilidade de o Direito Penal evitar o tráfico de drogas, houveram por bem os Estados punir suas conseqüências”.

Observa-se, portanto, que frente à fracassada e inoperante estratégia de atacar as antecedentes atividades ilícitas, há um redirecionamento do Direito Penal em controlar os efeitos destas, quais sejam, os fluxos financeiros oriundos das primeiras atuações ilegais.

Seguindo, portanto, a mesma tendência mundial e diante dos índices de ocorrências envolvendo crime organizado, desvio e lavagem de dinheiro, provenientes de variadas transações ilícitas, e da inserção destes temas no rol de destaque da construção dogmática e da política criminal, houve nítido interesse do Direito Penal Brasileiro em atingir um efetivo controle da circulação de capitais e suas origens, por meio da criminalização desta multimencionada conduta. Ademais, a base ética à criminalização consistiu em evitar que a circulação do dinheiro sujo em circulação no mercado, bem como impedir que o dinheiro lavado proporcione outros ilícitos.